Abimael Salinas

Conheço ela na casa de uma amiga. São ao todo oito gúrias solteiras, felizes e solícitas. Mas ela, estranha, reservada e tentando há horas estabelecer uma conversa com a gata da casa, me chama a atenção. Aquela alí é?? Xiii, Abimael, encrenca. Mesmo? Tem certeza? Absoluta. Encrenca das grandes. Não me dou por satisfeito. Preciso saber mais. Descubro que ela já saiu com o irmão de um grande amigo. Na segunda ligo pra ele. E seu irmão? Casou. Mesmo? Foi. Mas e a?? Xiiii, Abimael, encrenca. Mesmo? Nossa, bota encrenca nisso. Das grandes, amigo. Certeza? Posso confiar? Pode. Sei bem o que tô te falando. Mas se você estiver com dúvida, sabe a Ana? Então, o primo dela já saiu com essa gúria ae. Sério? Sim. Na terça ligo pra Ana. E seu primo? Ah, menino, todo feliz, morando em Londres. Mas ele já saiu com a.., não saiu? Xiiiii, nossa, nem fala esse nome pra ele, nossa, EN-CREN-CA. Das bravas. Das grandes. Mesmo? Olha, tô pra ver encrenca maior. Mas se você tiver com alguma dúvida, o Beto, sabe o Beto? Foi chefe dela. Na quarta ligo pro Beto. E, aí, cara? Tudo certo? Certíssimo. Tô grávido do segundo moleque. Que beleza. Mas me fala, você já foi chefe da?? Cara, nem me lembra disso. Uma puta encrenca, viu. Olha, prefiro nem tocar nesse assunto. Mesmo? Sério. Mas olha, quem pode te falar melhor é o Dr. Ricardo.Tratou ela ano passado. Mesmo? Ela foi no Dr. Ricardo? Pra você ver o tamanho da encrenca. Na quinta ligo pro Dr. Ricardo. Sei como são essas coisas de discrição médica. Mas?e a?? Abimael, não vou te falar nada, é antiético, você entende, né? Mas como você é meu amigo, vou te falar só uma coisa: a gúria é a maior encrenca da cidade. Talvez do país. Mesmo? Mesmo. Mas se você tiver com alguma dúvida, minha irmã mais velha, a Fabi, fez faculdade com ela. Na sexta ligo pra Fabi. E aí, gata? Gente, quanto tempo! Faz mesmo. E você? Alguma paquera nova? Sim, tô noiva! Sério! Aham! Mas e a??? ouvi dizer que vocês estudaram juntas já. Ah não! Esse assunto não! Pô, mó vibe. Abimael, olha, essa menina redefiniu pra mim o conceito de encrenca. Manja “A” encrenca? Então. Mas se você tiver alguma dúvida (….). Não, não tenho mais dúvida nenhuma. Chega. Já ouvi tudo o que eu precisava. No sábado ligo pra ela, coração disparado, não é sempre que encontramos alguém tão bem recomendado.

Eu sou um mendigo ao contrario. Eu ando pelo mundo implorando pra que alguém aceite a minha riqueza. Fico sentado no chão, tocando meu instrumento, com um chapéu imenso e lotado. E a plaquinha “por favor, não me ajude”. Muitas pessoas passam, mas pra poucas me levanto. Posso ficar horas tentando te explicar. Você tem um resto perdido e solitário de sobrancelha ao lado da sobrancelha esquerda. Você tem pequenos buracos entre os dentes de baixo. Tem esses cabelos encaracolados, que eu adoro tanto. Essa cicatriz maravilhosa na perna, que me excita a cada vez que a-vejo. Você molha o lábio com a língua ainda mais seca que seus lábios, quando está com nervoso. Você joga seu maxilar inferior pra frente quando a risada é de deboche. Você joga o seu maxilar superior pra frente quando a risada é de timidez. Você atravessou a rua com as mãos congeladas dentro do bolso. Você pede perdão pela sua parte playboy com a doçura e a sinceridade de um poeta descalço. Você me convida pra almoçar no restaurante onde terminamos e, porque sabe ser piadista exatamente do jeito que combina comigo, explica detalhadamente onde é o lugar como se eu não lembrasse dele todos os dias. Eu vejo a palavra “reply” no meu celular e, só porque tem a letra “y”, a letra mais forte do seu sobrenome, sinto de leve um chutinho atrás dos meus joelhos. Eu poderia ficar horas te explicando por que eu acho que é amor. Você outro dia fez o exercício contrário. Ficou tentando me explicar por que não é amor. Falou da minha vontade doentia de dar amor, e dessa minha vontade de abraçar o mundo, e das minhas fases com trauma de ser feliz pra sempre, e do quanto odiava quando eu tentava extrair mais e mais do seu peito protegido pelas várias jaquetinhas modernas que parecem paletozinhos mas têm zíper e, por fim, disse que apesar de não simpatizar com elas, prefere os meninos que te fazem sentir de férias em um spa relaxante. Não são por essas coisas que se ama. Essas são apenas as coisas sobre as quais conseguimos falar na nossa ânsia de ocupar a cabeça enquanto nos encaramos um pouco assustados. Eu sei que é amor porque eu te escolhi pra me levar e, mesmo você não tendo aceitado, eu fui.

Vem correndo me fazer feliz, porque estou tendo dias dificieis. Corre, que ainda dá tempo. Faz um tempinho em que desisti de certas coisas, mas se você vier correndo, eu juro, juradinho, que vou ser maior que meus medos. Você enxe meu peito de coragem de uma certa forma, você me cega de uma forma tão desesperada que me faria ir do outro lado do oceano atrás de você. Mas eu sei, você sabe, nós sabemos que tivemos um passado não tão bom, mas é hora de viver de presente, não de passado e nem de futuro, apenas o presente, o hoje. Seus dizeres sujos e suas manias doentias me fascinam a cada vez que lembro que ainda resta “mim” em “você”. Vem, correndo, temos muitos lençóis por sujar, temos muitos risos, abraços e muito tudo que há de bom nesse mundo. Vem.

em um universo paralelo…

(Source: alien-child)

(Photo reblogged from cooostela)

Eu sentado ás 2hrs da manhã em frente ao computador tentando encontrar as palavras certas pra você. Tentando encontrar minha auto-confiança. Tentando encontrar o que eu chamo de amor. Quer dizer, o que chamam de amor. O meu problema é que, quando amo, eu devoro todo o coração. Busquei palavra por palavra, letra por letra, verso por verso, e não achei nada que definisse esse sentimento por você. E não achei. não achei. E sabe o que mais me incomoda? Não saber o que sinto por você. É mais que amor, é mais que obsessão. É mais muito mais que palavras existentes.

Apaixone-se por alguém que te curte, que te espere, que te compreenda mesmo na loucura; por alguém que te ajude, que te guie, que seja teu apoio, tua esperança. Apaixone-se por alguém que volte para conversar com você depois de uma briga, depois do desencontro, por alguém que caminhe junto a ti, que seja teu companheiro. Apaixone-se por alguém que sente sua falta e que queira estar com você. Não apaixone-se apenas por um corpo ou por um rosto; ou pela idéia de estar apaixonado.

Panturrilhas.

Não me sonhe, por favor. Pessoas que acham que podem me amar me ofendem. É sempre muito pouco o que elas podem e é sempre muito diferente do que deveria ser amor o que elas oferecem. Eu custo a suportar a banalidade do meu ser. Eu custo a aceitar uma relação como a que qualquer um poderia ter. Eu e minhas crises de ansiedade somos seres solitários, arrogantes e multiplicados por megalomanias. São mil vezes cem anos de análise e nada. Eu continuo me achando melhor que o amor igual e idiota que se oferece por ai. Melhor do que os casais e seus dilemas de festas de finais de ano e seus sonhos de vestidos brancos e seus cachorros e sacadas de predinhos neoclássicos e planos médicos familiares. Chato, chato, chato. É sempre nojento quando aparece alguém que quer tentar me amar. Sempre daquele jeito burocraticamente aos poucos e equilibrado e respeitado pela vida social e empresarial e natural e dentro da rotina dos humanos normais do planeta que precisam ir aos poucos porque a vida em sociedade empresarial e natural e tudo isso. E então eu tenho prazer de tornar a vida de todo mundo que se aproxima de mim, achando que pode me amar igual meu vizinho ama a minha vizinha, um inferno. É que, por completa infelicidade, eu sempre acho a minha grama infinitamente mais verde. O certo, se é que existe o certo, era eu gostar de assistir ao ato da conquista sentado confortavelmente em uma soberba cadeira de rei. E estou tão perto de virar um homem que tenho preferido a minha masturbação a ter problemas para conviver com outro ser humano que, por experiência própria, só vai encher a porra do meu saco. Não sei o nome de milhares de capitais de milhares de cidades. A minha vida inteira tirei 6 pra passar de ano. Leio pouco. Tenho fobia de sair do Brasil. Sou meio grosso e doce, e um pouco corcunda. Ainda assim, quando uma boa panturrilha me oferece amor, me sinto ofendido. Porque é pouco e porque se parece com tudo a minha volta e porque, definitivamente, não tenho estômago pra ser meu vizinho. Meu vizinho, que é absurdamente igual a todo mundo, é casado com uma mulher que poderia se passar por qualquer ser humano da terra. Eles vivem uma vida muito parecida com todas as outras. Uma parede me separa dessa realidade insuportável e eu os odeio por isso. Enquanto isso, gosto bastante de panturrilhas que, numa festa, conversam de costas pra mim. Pessoas que pouco se importam com a minha existência me libertam de ser especial. Ou, melhor, de não ser esse pequeno e medíocre “especial” que é o máximo de especial que as pessoas podem sentir e dar e ter. Resumindo: me libertam de não ser especial. Se não me percebem não preciso entrar em contato com a dor suprema que é ser percebido de forma tediosa ou menor ou superficial ou igual todos se percebem e se têm e, por fim e rapidamente, não se suportam mais. Sou um pouco imaturo (deixei de ser por motivos obvios, caso contrario, teria sido fatal permanecer imaturo, bobinho e orgulhoso) ás vezes um pouco egocêntrico e debilmente iludido por uma auto-estima analgésica de efeito rebote. E dane-se. Um dia o meu amor verdadeiro chegará e será diferente de tudo isso e nós vamos chorar de emoção por ter valido a pena não sangrar até a morte nos insistentes e rotineiros momentos de angústia e nada e vazio e solidão e inconformismo.

Toda forma de amor vale a pena. Se é amor, sempre vai valer a pena. As brigas, as risadas, os conflitos, os objetivos, ironias, palavras que soam como uma faca afiada no estômago, o vai e volta, a eterna busca pela eternidade, a necessidade de ter a pessoa ao seu lado até mesmo pra ir na padaria da esquina, os draminhas durante as madrugadas… Se é amor, sempre vai valer a pena… Sabe por que? Porque é amor.

Abimael Salinas 

último-post-do-ano.2011

Que a vida continue me causando espanto, medo, surpresa e prazer. Que meu coração continue pulsando descontrolado dentro de mim, porque nunca foi minha pretensão sentir calado. Que o injusto continue me indignando, e que a indignação continue me movendo em busca daquilo que acredito ser certo. Que o meu olhar se mantenha aceso. Que eu continue tendo efêmeras vontades de desistir, porque sou humano, mas que a fé me mova sempre até o fim. Que o caminho árduo nunca me faça ser tentado pelos falsos atalhos. Que o pó não se acumule nem na estante, nem no corpo e nem na alma. Que, de um jeito ou de outro, a gente consiga viajar: no mapa, nos livros, nos sonhos ou no amor, que é o maior de todos os sonhos. Que acaso e destino jamais se confundam, e que a gente continue com o dom bonito de acreditar que nossa história está escrita em algum canto do céu, nas estrelas. Que sonhar não se torne, em hipótese alguma, tolice. E o melhor: que nenhum sonho jamais seja proibido. Que os planos saiam do papel e nos surpreendam por serem ainda mais bonitos do que pareciam ser quando ocupavam espaço apenas dentro de nós. Que a falta de tempo nunca nos impeça de embrulhar os presentes com papel celofane ou fita de cetim, e muito menos de escrever um cartão. Que os papeis de carta saiam da gaveta e ganhem letras, redondas ou tortas, que façam sentido quando combinadas com o coração. Que o rosto da pessoa amada se torne miragem, não pela beleza do seu contorno, mas pelo quão verdadeiro é aquilo que a preenche. Que o encontro nunca deixe de ser a opção mais viável. Que o maior confronto nunca deixe de ser o olho no olho. Que o amor seja finalmente eleito como o caminho mais curto para a real felicidade. Que fazer pedido a uma estrela não seja rotulado como algo cafona. Que a gente goste daquilo que vê no espelho, e que não nos permitamos, em momento algum, tornar-nos escravos daquilo que gostaríamos de ver nesse espelho. Que os dias cinzentos sejam transformados em primavera. Que os risos, cada vez mais sinceros e espontâneos, sejam em alto e bom som, sem a menor timidez ou pudor. Aliás, que todo o pudor seja esquecido quando, em questão, estiver o amor verdadeiro. Que a gente caiba milimetricamente em um abraço, e que esse abraço nos sirva de esconderijo quando o que está lá fora parecer perigoso demais. Que olhar pra trás jamais nos envergonhe. Que o amor de cinema continue sendo, no fundo, o sonho de cada um. Que declarações sejam feitas sem rodeios. Que as verdades sejam ditas. E que a vida esteja cada vez mais perto da poesia, até que vida e poesia sejam, por fim, inseparáveis. Amém.